Toxoplasmose Ocular 

Compartilhe nas Redes:

O desafio das recorrências e como enfrentá-las 

Certamente, você já deve ter ouvido falar sobre toxoplasmose ou “a doença do gato” como é conhecida popularmente. No entanto, talvez não saiba que esta é uma doença que pode afetar significativamente a saúde dos olhos, causando a toxoplasmose ocular.

A Toxoplasmose Ocular , causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, é a principal causa de uveíte posterior (inflamação no fundo do olho) em todo o mundo. Embora a infecção inicial possa passar despercebida, seu maior desafio reside no seu caráter recorrente. As recorrências são a regra, e não a exceção, representando a principal causa de perda visual significativa e permanente nos pacientes afetados. 

Este artigo visa esclarecer não apenas os motivos das recorrências dessa doença ocular, mas também os fatores de risco para que elas ocorram, seus sintomas e consequências. Além disso, propõe alternativas de prevenção e manejo da condição.

Por que as recorrências acontecem?

O Toxoplasma gondii possui um ciclo de vida complexo. Após a infecção primária – que geralmente é assintomática – o parasita forma cistos teciduais, principalmente na retina e no sistema nervoso central. Nestes, ele permanece em um estado “adormecido” ou latente, protegido do sistema imunológico do hospedeiro e da ação da maioria dos medicamentos.

Uma recorrência ocorre quando esses cistos se rompem, liberando formas ativas do parasita (taquizoítos) que começam a se multiplicar e a destruir as células da retina. O gatilho exato para essa reativação ainda não está totalmente compreendido, mas acredita-se que esteja ligado a uma alteração temporária no equilíbrio entre o parasita e o sistema imunológico do hospedeiro.

Fatores de risco para as recorrências de Toxoplasmose Ocular

Paciente jovem esfregando os olhos em sinal de desconforto ocular. A dor nos olhos é um dos sintomas da toxoplasmose ocular.

Vários fatores estão associados a uma maior frequência de recidivas da toxoplasmose ocular:

  • Imunossupressão: qualquer condição que diminua a eficácia do sistema imunológico, como HIV/AIDS, uso de quimioterápicos ou imunossupressores pós-transplante, é um fator de risco potente;
  • Localização da Lesão: lesões localizadas muito próximas ou diretamente sobre o disco óptico (papilite) ou na mácula (a região central da retina responsável pela visão de detalhes) estão associadas a um maior risco de recidiva;
  • Número e Tamanho das Lesões: pacientes com múltiplas lesões ou com cicatrizes extensas de episódios anteriores tendem a recidivar mais;
  • Idade do Paciente: quanto mais jovem o paciente for no primeiro episódio, maior a probabilidade de ter recorrências ao longo da vida;
  • Intervalo entre as Recidivas: um histórico de recorrências frequentes no passado é um forte preditor de futuros episódios.

Sintomas e consequências das recorrências

Cada novo episódio inflamatório causa uma nova lesão na retina. Os sintomas típicos incluem:

  • Visão turva ou embaçada;
  • Aparecimento de “moscas volantes” (pequenos pontos escuros que se movem);
  • Fotofobia (sensibilidade à luz);
  • Dor ocular (menos comum, mas pode ocorrer se houver inflamação intensa).

A consequência mais grave  da Toxoplasmose Ocular é a destruição progressiva do tecido retiniano e do epitélio pigmentado da retina (EPR). Cada cicatriz resultante de uma recidiva é uma área onde as células fotorreceptoras morreram e não se regeneram. 

2 vetores: um representando o globo ocular normal, sadio e o outro com a presença de moscas volantes.

Quando essas cicatrizes afetam a mácula ou o feixe de fibras nervosas da retina, a perda de visão central ou periférica pode ser severa e irreversível. Além disso, a inflamação repetida pode levar a complicações como edema macular, descolamento de retina tracional, neovascularização coroidal e glaucoma secundário.

Estratégias de prevenção e manejo

O manejo das recorrências tem dois pilares: o tratamento do episódio agudo e a prevenção de novos episódios.

  • Tratamento da Recidiva Aguda: envolve a combinação de antibióticos específicos para eliminar as formas ativas do parasita (como sulfadiazina + pirimetamina, ou clindamicina, associadas a ácido folínico) e corticosteroides para controlar a inflamação secundária e minimizar os danos à retina. O uso de esteroides sem a cobertura antibiótica adequada é contraindicado, pois pode agravar a infecção.
  • Prevenção de Novas Recorrências (Profilaxia Secundária): para pacientes com recidivas muito frequentes da Toxoplasmose Ocular (por exemplo, mais de uma por ano) e que levam à perda visual, pode-se considerar a terapia supressiva de longo prazo. Esta estratégia, que envolve o uso contínuo de uma dose menor de antibióticos (como trimetoprima-sulfametoxazol), tem se mostrado eficaz na redução significativa da taxa de recidivas. A decisão de iniciar esta profilaxia é individualizada, pesando-se os benefícios contra os riscos de efeitos colaterais e resistência microbiana.

Em resumo, a toxoplasmose ocular é uma condição crônica e imprevisível. Seu manejo, a longo prazo, requer um acompanhamento oftalmológico rigoroso e regular, mesmo nos períodos assintomáticos. Além disso, a educação do paciente sobre os sinais de alarme e a adesão às estratégias de prevenção são fundamentais para preservar a visão e a qualidade de vida ao longo dos anos.

Dra. Cristiane Bins: a sua referência de Oftalmologia em Porto Alegre!       

Sempre que você tiver dúvidas sobre a sua visão ou se aparecer alguma alteração visual, como manchas, sensibilidade à luz ou baixa visão repentina, é importante que você procure o seu médico oftalmologista.

A Dra. Cristiane Bins é Oftalmologista e Especialista em Cirurgia Plástica Ocular e, se estiver na Zona Sul de Porto Alegre, pode contar com os seus serviços. Clique aqui para marcar uma consulta

Av. Diário de Notícias, 200 – 1806 

Barra Shopping Sul – Cristal / Porto Alegre

Telefones: (51) 3024.8333 – (51) 3024.6070 

Whatsapp: (51) 992336979 

Cristiane Araujo Bins - Doctoralia.com.br

Continue se Informando

Veja Mais Novidades:

Close no olho azul de um homem jovem que está segurando uma lente de contato com o dedo indicador.

Cuidados com lentes de contato

Certamente, o uso de lentes de contato oferece uma liberdade e conveniência inigualáveis para milhões de pessoas em todo o mundo. Elas oferecem um campo visual mais amplo e natural, se comparado aos óculos de grau, sem armações que atrapalhem a visão. Proporcionam liberdade para atividades físicas e não embaçam com mudanças de temperatura. Além disso, muitos optam pelas mesmas por uma questão de estética, preferindo manter sua aparência natural.

Close do rosto de uma mulher madura sendo marcado para a realização de uma blefaroplastia

Cuidados pós-cirúrgicos – Blefaroplastia

O excesso de pele e bolsas nas pálpebras, sem dúvida, cria uma aparência permanentemente cansada, triste ou envelhecida, que não reflete a vitalidade que a pessoa sente internamente. As pessoas desejam rejuvenescer os olhos com Blefaroplastia porque o olhar é um dos principais focos de expressão e comunicação humana. 

Close do olho direito de uma mulher, o qual apresenta vermelhidão característica do olho seco neurogênico.

Olho Seco Neurogênico – Quando o Problema está nos Nervos

A Síndrome do Olho Seco é uma condição multifatorial, frequentemente associada a fatores ambientais, disfunção das glândulas meibomianas ou doenças autoimunes. No entanto, uma forma menos conhecida e particularmente complexa é o Olho Seco Neurogênico. 

Agende Sua Consulta!