Glaucoma e viagens: guia prático para pacientes. 

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A necessidade de levar medicação viagens, por mais curto que seja o período, tira a espontaneidade e adiciona uma camada extra de planejamento que pode ser cansativa. É comum sentir que os frascos de colírio “controlam” sua rotina, gerando ansiedade sobre “e se eu esquecer?”, “e se o frasco quebrar?” ou “e se for barrado na segurança?”. Essa sensação de vigilância constante é um fardo psicológico real que acompanha o tratamento crônico, e é válido reconhecer esse desgaste.

A boa notícia é que, com a prática, essa logística se torna um hábito automático, semelhante a escovar os dentes ou colocar o cinto de segurança. Criar um “kit de viagem” permanente (uma necessaire pequena com um frasco reserva, receita e alarme no celular) tira o peso da decisão a cada viagem. Além disso, lembre-se: levar a medicação é o que garante sua liberdade de viajar com segurança, não o que te impede. 

Aos poucos, ao ver que consegue administrar isso em diferentes cenários (praia, montanha, voo internacional), a preocupação inicial dá lugar à confiança. Você não está sozinho nessa, e cada viagem bem-sucedida é uma vitória sobre o medo. 

Viajar sendo portador de glaucoma exige planejamento, mas não precisa ser um motivo de ansiedade. Com os cuidados certos, você pode aproveitar as viagens com tranquilidade e segurança. 

Aqui está um guia prático completo para que você tenha tranquilidade durante seu passeio. 

1. Organize a medicação com antecedência para levar em viagens

Leve mais do que o necessário: Nunca viaje com a quantidade exata de colírios para os dias da viagem. Imprevistos acontecem – atrasos, perda de frasco, extravio de bagagem. Leve pelo menos 50% a mais do que o previsto. Por exemplo, para uma viagem de 10 dias, leve 15 dias de medicação.

  • Divida os frascos: coloque parte dos colírios na bagagem de mão e outra parte na bagagem despachada (se houver). Assim, se uma for extraviada, você tem reserva. Lembre-se: colírios são permitidos em bagagem de mão mesmo em voos internacionais, respeitando os limites de líquidos (geralmente frascos de até 100ml, o que nunca é um problema, já que colírios têm cerca de 2,5ml a 10ml).
  • Documentação: leve a receita médica (preferencialmente traduzida para o idioma do destino, se for exterior) e uma declaração médica simples descrevendo sua condição e a necessidade dos medicamentos. Isso evita problemas na segurança aeroportuária.

2. Cuidados durante o voo 

Vista do destino de viagem a partir da janela do avião.

A cabine de avião tem ar seco e pressurizado, o que pode ressecar os olhos e, indiretamente, afetar a absorção do colírio. Recomendações:

  • Aplique o colírio antes de entrar no avião, não dentro da aeronave (a menos que seja um voo muito longo que ultrapasse o horário da dose). O ambiente do aeroporto é mais adequado.
  • Use lágrimas artificiais sem conservantes durante o voo, se sentir ressecamento. Porém, consulte seu médico antes!
  • Evite usar lentes de contato em voos longos – elas aumentam o ressecamento e o risco de infecção.

3. Adaptação ao fuso horário 

Se você usa colírios em horários fixos (ex.: 8h e 20h) e muda de fuso horário, a regra geral é:

  • Viagens curtas (até 3 dias de diferença): mantenha o horário do local de origem. Ajuste o relógio mentalmente e aplique no mesmo intervalo de horas.
  • Viagens longas (4+ dias de diferença): faça a transição gradual. Por exemplo, se o fuso avança 6 horas, nos primeiros dois dias aplique com 2 horas de diferença, depois 4, até chegar ao novo horário. Ou simplesmente mantenha o intervalo de 12 horas entre as doses, independente do relógio.

Consulte seu oftalmologista antes, se for uma mudança de fuso muito grande (ex.: Brasil para Japão). Ele pode orientar um esquema personalizado para viagens.

4. O que levar no kit de viagem 

Monte um estojo específico para viagens:

  • Frascos de colírios (com etiquetas originais);
  • Receita médica e declaração;
  • Óculos escuros (a fotossensibilidade pode aumentar em alguns tipos de glaucoma);
  • Lágrimas artificiais (se liberadas);
  • Alarme no celular para lembrar os horários das doses;
  • Endereço de um oftalmologista no destino (busque com antecedência – clínicas grandes ou hospitais universitários).
Kit de medicações para viagens.

5. Cuidados com armazenamento 

A maioria dos colírios para glaucoma deve ser mantida entre 15°C e 25°C, protegida da luz. Em viagens para locais muito quentes:

  • Não deixe os frascos dentro do carro estacionado ao sol – o calor pode degradar o princípio ativo.
  • Use uma bolsa térmica pequena com gelo reutilizável (mas sem contato direto com o frasco para não congelar).
  • No avião, a cabine é climatizada – não há problema manter na bagagem de mão.
  • Em destinos frios, evite que o colírio congele – mantenha próximo ao corpo (bolso interno do casaco).

6. Durante a estadia 

  • Não pule doses por causa de passeios. Coloque alarmes no celular.
  • Se esquecer uma dose, aplique assim que lembrar. Se estiver próximo da próxima dose, pule a esquecida e volte ao esquema normal – nunca aplique o dobro.
  • Em praias ou piscinas, use óculos de natação para evitar que a água (com cloro ou sal) entre em contato com os olhos, especialmente se você fez cirurgia de glaucoma recentemente.
  • Beba água regularmente – a hidratação não altera diretamente a pressão ocular, mas o ressecamento sistêmico pode afetar a produção de lágrimas.

7. Emergências: quando procurar atendimento durante viagens. 

Busque um oftalmologista local se:

  • Dor ocular intensa súbita, com ou sem náusea/vômito (pode ser crise aguda de fechamento angular – raro em glaucoma crônico de ângulo aberto, mas possível);
  • Perda súbita de visão (qualquer grau);
  • Olho muito vermelho e dolorido após trauma ou cirurgia recente;
  • Você perdeu a medicação e não consegue reposição imediata;
  • Tenha sempre em mãos o telefone do seu médico no Brasil – ele pode orientar um colega local.

8. Seguro viagem 

Fundamental! Contrate um seguro viagem que cubra atendimento oftalmológico de urgência e emergência. Verifique se há exclusões para condições pré-existentes. O glaucoma é uma doença crônica, mas crises agudas (como pico pressórico) geralmente são cobertas.

Sobre uma mesa, mãos femininas conferem um seguro viagem.

Como pode-se perceber, com um bom planejamento, você viaja sem medo. O segredo está na prudência (medicação a mais, dividida entre malas), documentação e conhecimento de como agir em cada situação. 

Converse com seu oftalmologista antes de viagens longas ou para destinos remotos. E lembre-se: sua visão vale cada cuidado! Faça uma boa viagem! 

Dra. Cristiane Bins: a sua referência de Oftalmologia em Porto Alegre!       

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