Escavação do nervo óptico: entendendo o resultado do exame.

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A detecção precoce de problemas oculares, por meio de exames oftalmológicos regulares e completos, é fundamental para proteger a visão dos danos causados ​​pelo glaucoma. Por isso, qualquer pessoa com fatores de alto risco deve realizá-los todos os anos, ou a cada dois, após os 35 anos de idade. Entre as avaliações, podem ser solicitados alguns para avaliar o nervo óptico e a escavação. 

Antes de mais nada, é importante entender o que significa a “escavação” do nervo óptico. Ela se parece com uma depressão ou “copo” no centro do disco óptico, a área onde o nervo se conecta à retina. Ao analisar o fundo do olho, é possível perceber se ele está em condições ideais e se a escavação também está normal.

Perder fibras nervosas com a idade é um processo natural, e isso pode aumentar a escavação. O desafio é diferenciar uma alteração normal do envelhecimento de um sinal de doença, como o glaucoma, por exemplo. 

O que significa o valor 0.6 no exame de escavação? 

O valor de escavação é uma medida da relação entre o diâmetro da escavação e o diâmetro total do disco óptico. Em termos práticos, isso indica a proporção do nervo óptico que está “escavada”.

Estrutura do globo ocular com destaque para o nervo óptico - região onde pode ocorrer a escavação.
Vector structure of the human eye. Anatomy and medicine, iris and pupil, lens and macula, aqueous humour

Valores de referência: uma relação de escavação de 0.6 ou maior (acima de 0.6) é um dos critérios que, em conjunto com outros achados, pode levar à classificação de um glaucoma como inicial ou em estágio moderado, dependendo de outros danos estruturais e perdas funcionais no campo visual.

No entanto, um valor isolado não é um diagnóstico. Muitas pessoas podem ter uma escavação de 0.6 ou até maior por características anatômicas próprias, sem que isso represente qualquer doença. Por isso, o oftalmologista nunca se baseia em um único número para concluir o diagnóstico.

Como é feito o diagnóstico do glaucoma? 

O glaucoma é uma doença complexa e o diagnóstico não se define por um único exame, mas pela correlação de múltiplos achados clínicos e de exames complementares que avaliam tanto a estrutura quanto a função do nervo óptico.

Os principais exames utilizados nesse processo são:

  • Avaliação do Nervo Óptico: além da medida da escavação, o médico avalia a forma, a cor e a presença de outras alterações no nervo, como assimetrias ou hemorragias. A Oftalmoscopia (exame do fundo de olho) e a Biomicroscopia de Fundo são essenciais para essa análise detalhada.
  • Tomografia de Coerência Óptica (OCT): este é um exame de imagem de altíssima resolução que mede a espessura das camadas de fibras nervosas da retina. O OCT é fundamental para detectar perdas sutis de tecido, muitas vezes antes mesmo de qualquer alteração aparecer no campo visual, auxiliando no diagnóstico precoce e no monitoramento da doença.
  • Campo Visual (Perimetria): este exame mapeia a visão periférica do paciente para identificar possíveis “pontos cegos” ou áreas com menor sensibilidade, que são características do glaucoma. Ele avalia o dano funcional, ou seja, o impacto da doença na capacidade de enxergar.
  • Tonometria e Paquimetria: a pressão intraocular (PIO) é o principal fator de risco para o glaucoma e é medida pela tonometria. Já a paquimetria mede a espessura da córnea, um dado crucial, pois córneas mais finas podem subestimar a medição da pressão ocular, mascarando um risco real.

O que fazer agora? 

O passo mais importante é levar o resultado do seu exame ao seu oftalmologista de confiança. Ele é o único profissional capacitado para interpretar esse valor no contexto da sua saúde ocular como um todo, considerando seus fatores de risco, histórico familiar e os resultados de todos os outros exames.

Formação do glaucoma. Fonte: Mundo Educação UOL 

Um resultado de 0.6 é um sinal que merece atenção e deve ser investigado a fundo. O diagnóstico precoce é a chave para o controle do glaucoma, e o acompanhamento periódico com exames de imagem como o OCT e de função como o campo visual são suas melhores ferramentas para preservar a visão a longo prazo.

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