A terapia fotodinâmica (TFD) é um tratamento que combina um medicamento fotossensibilizante, luz e oxigênio para destruir células anormais, como células cancerosas, ou tratar lesões dermatológicas e infecciosas. Esta técnica é utilizada em diversas aplicações na medicina, principalmente na dermatologia e oncologia, mas também em oftalmologia e odontologia.
No caso específico da oftalmologia, a terapia fotodinâmica é uma técnica inovadora que costuma ser utilizada no tratamento de várias doenças oculares, particularmente aquelas que estão ligadas à Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) e a outras doenças da retina. A terapia combina a administração de um agente fotossensibilizador com a exposição à luz de um comprimento de onda específico para produzir uma reação fototóxica a qual destrói os tecidos anormais.
Com o tratamento, cerca de 40% dos pacientes melhoram ou estabilizam a visão e 60% apresentam menor risco de perda acentuada de acuidade visual.
Como funciona a terapia fotodinâmica?
A TFD envolve três etapas principais:
- Administração do Fotossensibilizador: um agente fotossensibilizante (por exemplo, ácido aminolevulínico – ALA) é aplicado na pele ou administrado por via intravenosa no paciente. Essa substância percorre a corrente sanguínea até a área a ser tratada onde o medicamento é absorvido por células-alvo, como as cancerosas ou infectadas;
- Ativação pela Luz: após um período de espera para o medicamento fotossensibilizador se concentrar nas células-alvo, a área a ser tratada é exposta a uma luz específica (geralmente laser de baixa intensidade ou LED), a fim de destruir os vasos sanguíneos anormais na retina. Assim, fecha os novos vasos sanguíneos, retarda o crescimento e diminui a progressão da perda de visão;
- Produção de Espécies Reativas de Oxigênio: a ativação do fotossensibilizante na presença de oxigênio gera radicais livres, que danificam e destroem os tecidos anormais sem afetar significativamente os tecidos saudáveis.
Aplicações clínicas da terapia TFD
A TFD é amplamente utilizada para tratar várias condições oculares, incluindo:
- Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI): a TFD trata, particularmente, a forma exsudativa ou “úmida”, caracterizada pelo crescimento anormal de vasos sanguíneos sob a retina. A terapia ajuda a selá-los e reduz a progressão da doença;
- Coriorretinopatia Serosa Central: esta é uma condição na qual há acúmulo de líquido sob a retina, que acaba causando descolamento e visão distorcida. Neste caso, a TFD pode reduzir o acúmulo de líquido e melhorar a visão;
- Neoplasias Coroidais: tumores malignos ou benignos na coroide, como o hemangioma coroidal, também podem ser tratados com a terapia fotodinâmica para reduzir seu tamanho e prevenir danos adicionais à visão.
Vantagens e limitações da terapia fotodinâmica
A terapia fotodinâmica oferece várias vantagens em comparação com outras formas de tratamento:
- Seleção Específica dos Tecidos: a TFD permite a destruição seletiva dos tecidos anormais, minimizando os danos aos tecidos saudáveis;
- Menor Invasividade: é um tratamento minimamente invasivo, em comparação com a cirurgia ocular tradicional;
- Recuperação Rápida: a maioria dos pacientes pode retornar às suas atividades normais pouco tempo após a realização do procedimento que, inclusive, gera menos dor pós-terapia;
- Poucos efeitos colaterais: o procedimento não causa grandes efeitos colaterais, especialmente quando comparado à quimioterapia ou cirurgia;
- Repetibilidade: o tratamento pode ser repetido em sessões, se necessário, sem que haja um aumento significativo dos riscos associados à TFD.
Em relação às limitações do tratamento, elas são mínimas:
- A luz precisa alcançar todas as células tratadas, limitando sua eficácia em tumores profundos;
- As células normais próximas a área que está sendo tratada também podem ser afetadas;
- O paciente deve evitar exposição à luz solar por um determinado período após o tratamento para evitar queimaduras.
Cuidados pós-procedimento
Ainda que a terapia fotodinâmica seja menos invasiva do que outros tratamentos tradicionais, não significa que ela não exija alguns cuidados para garantir a plena recuperação do paciente. Sendo assim, é fundamental que, logo após cada sessão, o paciente evite a exposição à luz direta, pois a substância fotossensível injetada pode permanecer no organismo por um período de tempo que costuma variar entre 24 e 48 horas. Estar exposto pode ativá-la e causar queimaduras.
Alguns pacientes podem experimentar dor ou desconforto ocular e também visão turva ou diminuída. Estes efeitos colaterais após o procedimento, felizmente, são temporários e facilmente tratáveis com medicações indicadas pelo oftalmologista. Não exite em contatar o especialista, caso o incômodo seja persistente ou você tenha alguma dúvida.
Tratamento inovador na oftalmologia
Por fim, vale ressaltar que a terapia fotodinâmica representa um avanço significativo no trato de algumas doenças oculares. Isso porque, proporciona um tratamento eficaz e menos invasivo para condições que anteriormente tinham poucas opções terapêuticas.
A terapia fotodinâmica, ao combinar a precisão da ativação fotossensibilizadora com a especificidade da luz laser, oferece uma abordagem direcionada que minimiza os danos aos tecidos saudáveis, promove a recuperação rápida e pode ser repetida conforme for necessário.
Entretanto, assim como em qualquer tratamento médico, é fundamental que os pacientes discutam seus potenciais benefícios e riscos com seu oftalmologista para determinar a melhor abordagem para o seu caso.
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